VIOLÊNCIA URBANA - Porque o Brasil está tão violento?
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Agosto 2017

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VIOLÊNCIA URBANA



“Chamamos de violentas as águas de um rio que tudo arrastam. São porém mais violentas as margens que as comprimem".
(Bertolt Brecht)


        A frase do dramaturgo alemão leva a uma reflexão sobre a sensação de insegurança no Brasil, que segundo recente relatório da ONU, é a maior do mundo e atinge 80% dos brasileiros. O brasileiro vive com medo. Os assassinatos, estupros, roubos de cargas e de veículos e explosões de caixas eletrônicos, e o risco de morte em torno de tudo isso aumentam de forma alarmante e a segurança pública cada vez menos confiável não nos deixa vislumbrar uma esperança de dias melhores nem a curto prazo nem a médio prazo nem a prazo nenhum.
        Qual a razão do pico de violência quando 40 milhões de brasileiros entram no andar da classe C? Algo soa estranho. No Brasil do resgate social apregoa-se que a exclusão social desencadeia violência por transformar a indignação e a fúria dos marginalizados em arma contra a ordem estabelecida ou seja: segundo essa teoria e essa visão praticamente unânime, seriam os marginalizados os agentes da violência. Só que São Paulo e Rio contabilizam bem mais que a metade dos crimes violentos do País, e fica difícil ver roubos de cargas e de veículos e explosões de caixas eletrônics como ações de marginalizados.
        A elevação dos padrões de cidadania pelo acesso ao mercado de consumo e aos direitos básicos contribui para a harmonia social? A considerar a planilha de expansão dos crimes, não. Ora, se a resposta é negativa, que fatores explicam o aumento da violência? O primeiro é, seguramente, a sistemática e crescente ausência do Estado. O segundo, a total ineficiência do Estado quando presente.
        O descaso e a omissão dos governos são os principais responsáveis pela violência. São Paulo e Rio, os maiores aglomerados urbanos do País são também abrigos das maiores carências nacionais, no que se refere a assistência ao cidadão a começar pela segurança pública. Agrupam-se nesse vácuo deficiências de transportes, habitação, saúde, educação e tudo mais, abrindo espaço para a violência. Criminosos fazem do crime seu meio de vida estimulados por absurdas leis penais de um judiciário estagnado. Entram em regime de progressão da pena, ganham indulto e liberdade condicional e retornam ao mundo do crime. Alguns quando livres delinquem com o propósito de voltar pra cadeia onde vivem melhor.
        A ausência do Estado induz parcelas sociais a descumprir obrigações, desrespeitar leis, como se pode constatar nas violações de trânsito, nas teias de corrupção que se multiplicam nos subterrâneos da administração pública e na violência do próprio aparato policial, que por causa da miserável remuneração não encontram condições de vida digna. A violência que viceja no seio das polícias dissemina uma violência institucionalizada, responsabilidade exclusiva do Estado Brasileiro.

Que continuemos a nos omitir da política é tudo o que os malfeitores da vida pública mais querem.
(Bertolt Brecht)




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