O QUE A PAIXÃO PROVOCA NO CÉREBRO
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junho 2017

ADRIANA GROSSE

O que a paixão
provoca no cérebro.

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Psicóloga Adriana Grosse

Ah, o amor! Quem nunca se apaixonou ou viveu um grande amor? Quem nunca falou: nunca mais irei me apaixonar, por mais ninguém? Quem nunca sofreu por amor? O amor é lindo e todos querem sentir e ser amados, o que não sabemos é que ele não ocorre só a nível de sentimento, mas sim, a nível de neurotransmissores no nosso cérebro.
          Os cientistas tem feito diversas pesquisas, com o intuito de identificar as áreas do cérebro que são ativadas com a paixão e descobriu-se que o aumento da dopamina é muito grande no inicio das relações. A dopamina é responsável pelas descargas de emoções para o coração e as artérias, é um neurotransmissor da alegria e da felicidade liberado no organismo para potencializar a sensação de que o amor é lindo, é ela que dá a sensação de prazer.
          A dopamina é ativada especialmente quando recebemos um prêmio, quando temos fome e comemos, e quando é consumido droga. Realmente, o circuito de recompensa é também o circuito do vício, daí o caráter viciante das primeiras fases do amor, pois, o circuito de recompensa trabalha a todo valor e o córtex pré-frontal parece “desligar”. O problema é que o córtex pré-frontal é a área que podemos dizer a “mais humana”, visto que, é responsável pela área do raciocínio e julgamentos elaborados.
          Está explicado, que quando alguém se apaixona, falamos que a pessoa está no mundo da lua e só vê as qualidades. As consequências são evidentes: o amor obscurece, pelo menos sobre a pessoa amada, a capacidade crítica. Isso explicaria a crença de que “o amor é cego”, ou até a frase de Ortega y Gasset, que o definiu como “um estado de imbecilidade transitório”. Estar em contato com a alma gêmea, mesmo que por telefone ou e-mail, resultará na liberação de mais endorfina e dopamina, ou seja, de mais e mais prazer.
          Para identificar as regiões do cérebro ativadas com a paixão, os cientistas costumam usar o que se conhece como ‘ressonância magnética funcional’. Essa técnica capta a maior ou menor chegada de oxigênio a cada área, um sinônimo da demanda que a atividade cria.
          O amor produz uma onda de estresse ao longo do tempo. Trata-se, em princípio, de uma ativação do eixo hipotálamo-hipofisário-adrenal, o que significa, entre outras coisas, que o cérebro manda sinais para produzir mais adrenalina.
          Uma interpretação que se faz é que esse grau de estresse permite superar o medo inicial, o que se conhece como neofobia. Com os meses, no entanto, o mecanismo diminui, dando lugar a uma sensação de tranquilidade (os demais hormônios e circuitos envolvidos também se ajustam com o tempo).
          Em novembro de 2005, a publicação científica americana Psychoneuroendocrinology divulgou um trabalho da Universidade de Pavia, Itália, mostrando que euforia, dependência e outros sintomas estão ligados a proteínas do cérebro e que nos primeiros meses da relação, o componente identificado como NGF – o mesmo que provoca suor nas mãos, entre outras alterações, aparece no sangue em níveis elevados.
          Os cientistas analisaram casais no auge do envolvimento e compararam com um estudo feito com solteiros e indivíduos com relacionamentos de longo prazo, constatando que casais que estavam mais tempo em uma relação, já haviam normalizado os níveis de proteínas.
          Isso não significa que você não fica mais excitado ou feliz do lado da pessoa que ama. Na realidade, a necessidade deste hormônio é substituída por uma molécula chamada CRF. Ela é liberada sempre que casais estão longe – o que causa uma desagradável sensação de separação e falta.
          Enquanto a maioria das substâncias químicas apresenta níveis mais elevados no auge da paixão, a serotonina, que tem efeito calmante e nos ajuda a lutar contra o estresse, diminui em cerca de 40%. O índice foi observado no estudo da italiana Donatella Marazziti, da Universidade de Pisa. O que chamou a atenção da pesquisadora foi o fato de o percentual ser próximo ao da falta desse mesmo neurotransmissor naqueles que sofrem de transtorno obsessivo compulsivo. Isso explicaria o pensamento incontrolável, algumas atitudes insanas, quase psicóticas, e a fixação numa única pessoa na fase aguda.
          O prazo de validade do efeito paixão varia de pesquisa para pesquisa. Mas o que se sabe é que a paixão passa naturalmente, dando lugar ao amor (sentimento, mais calmo e tranquilo, sem tanta euforia). Essa transição ocorre em alguns meses, com o cérebro descarregando menos dopamina e reduzindo as endorfinas. No auge, as alterações químicas são tão intensas e tão estressantes que, se durarem tempo demais, o organismo entraria em colapso.


Psicóloga & Coaching Adriana Grosse
CRP 08/18360


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