CABEÇA ERGUIDA E PROCURAR COMIDA
       
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CABEÇA ERGUIDA
E procurar comida


cadela

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Oi gente, meu nome é Mantra. Recebi este nome em homenagem a uma outra cadela que morou aqui e apesar de todos os cuidados, foi vencida pela idade. Resolvi contar minha história depois que conheci a história da Tatá, que um dia eu conto aqui pra quem quiser ouvir.
        Espero mostrar com tudo que passamos que sempre se pode esperar um futuro melhor. Não façam como eu, que num certo momento achei que pra mim tudo estava acabado. Isso nunca é verdade. Depois da noite existe sempre um dia, a felicidade existe e nossa parte é nunca desistir. Minha história é muito parecida com a da Tatá, que eu pessoalmente nem conheço, mas vou fazer o mesmo que ela. Vou contar tudo. Não perdi nenhuma pata, como aconteceu com a coit... Com ela. Quase disse coitadinha. Já pensou, se ela resolve ler minha história e me pega chamando ela de coitadinha? Não ia prestar.
        Meu nome é Mantra, mas poucos me chamam assim. Muitos dos meus amigos humanos me chamam de Mantrinha, e os mais íntimos me chamam simplesmente de Tim. Adoro este apelidozinho. É música para os meus ouvidos. Principalmente quando me chamam pra almoçar “Vem Tim vem!!” e lá vou eu toda feliz da vida.
        Mas nem sempre foi assim. Fazia muito frio. Me lembro como se fosse hoje. Era junho de 1992 e parece que o mundo todo estava gelado e de repente me vi malvadamente abandonada numa beira de estrada, bem longe. Longe de tudo. Não tinha nada ali. Só mato de um lado e do outro da rua. Se não conto detalhes disso é porque ainda me faz muito mal lembrar que meus donos, que eu amava tanto, e acho que ainda amo, e que durante tanto tempo pensei que gostassem de mim, fizeram aquilo comigo. Mas tudo bem. Vi os dois manobrarem o carro e irem embora numa velocidade de fuga. Estava abandonada na beira de uma estrada e tinha que sobreviver.
        Chegou a hora do meu almoço mas alguma coisa me dizia que não ia ter almoço. Fiquei horas ali. Não queria deixar aquele ponto da estrada onde me deixaram. Quem sabe voltavam? Quem sabe não me abandonaram, mas só me deixaram ali enquanto resolviam alguma coisa por perto? Mas as horas passavam e a fome começou a exigir de mim um mínimo de bom senso. Aos poucos fui me afastando, de vez em quando parava, olhava pra trás, mas não vinha carro nenhum e quando vinha, não eram eles. Alguns carros eram muito parecidos com o deles e eu sentia uma esperança idiota, mas quando passavam não eram eles. Vamos melissa, vamos embora, disse eu por fim a mim mesma, tentando afastar aquela coisa horrível que me sufocava. Me tirava o fôlego. Vamos embora. Nada de desânimo nem de choromingos. É cabeça erguida e procurar comida. E assim foi.
        Segui em frente. Acho que andei uns quatro dias até começar a ver casas. Comia o que achava de comível e onde tem casa sempre é mais fácil encontrar alguma coisa que os humanos jogam fora.
        Com o tempo fui ficando magra, porque achava pouca coisa pra comer e andava muito. Não tinha mais esperança que alguém me adotasse porque além de magra, nessa altura do campeonato estava lotada de bernes e respirando com dificuldade. Por sorte encontrei uma construção abandonada (soube depois que tinha sido uma escola famosa, cheia de crianças barulhentas, que de repente fechou). Na frente havia uma espécie de lixão, sobra do vandalismo promovido por desocupados e eu vivia deitada na beira daquele lixão, tentando despertar pena em quem passava por ali. Nem precisava simular um aspecto deplorável porque eu estava realmente num aspecto deplorável, principalmente quando o sol batia em mim, evidenciando uma espécie de cor cinza rato, a cor da sujeira que cobria quase por completo o que antes era meu belo pelo dourado. Isso durou mais de um mês. Muito mais. Até que um dia meu milagre também aconteceu. Um carro parou bem pertinho de mim, e o motorista desceu com um pano na mão, me olhando. Eu pensei em fugir, mas reconheci o homem. Reconheci a careca negra que brilhava em cima daquele homem. Já tinha passado algumas vezes por ali no mesmo carrinho branco muito rodado.
        A partir daí tudo aconteceu muito parecido com a história da Tatá. O negão me envolveu numa toalha, enquanto uma mulher abria o porta malas e uma garotinha de joelhos no banco de trás olhava tudo com interesse. Ele me deitou no chão do porta malas, que estava forrado com um pano fofinho e limpo. A garotinha de uns nove anos, tampou o nariz e disse bem alto: pai, ele tá fedendo! E é muito feio!
        -É ela, Til - respondeu a mulher. E não é feia coisa nenhuma. Só está maltratada. Em casa a gente dá um banho nela e ela vai ficar cheirosa e bonita.
        Dito e feito. Chegaram e me enfiaram direto num balde gigante que já tinha sido preparado com antecedência. A Til era Matilde. Marta Matilde Romero Avelar. Gostava de dizer sempre o nome completo. Sempre foi uma mocinha feliz e nós duas nos tornamos amicíssimas, mas isso eu conto depois. Ela olhava os dois tentando me manter naquela água que tinha um negócio cheiroso que espumava e que ardia nas minhas feridas. Tentei fugir do tal balde gigante, mas não consegui. Estava muito fraca e o negão de careca reluzente, usando umas luvonas pretas de borracha me empurrava pra baixo d’água como se quisesse me afogar. Quase que mordi a mão dele, mesmo sabendo que tudo aquilo era pro meu bem. Acharam de tudo em mim. Pulga, carrapato, bicho de pé e berne. Tava nojento! No mesmo dia fui ao medico, Foi aí que tiveram que me dar um nome, pra constar no prontuário e no receituário e resolveram me chamar de Mantra em homenagem a outra Mantra, como eu já expliquei antes.
        Meu nome antigo era Melissa, mas ninguém nunca ia descobrir. Gostei de “Mantra”. É um nome bonito. Tem carisma! Gostei mais ainda quando passaram a me chamar de Mantrinha e agora eu sou a “Tim”. Nossa como é gostoso. “Tim”. Tomei vacina, ouvimos as recomendações do veterinário, e fomos embora. Quando passei pelo espelhão da recepção tive que dar razão, à Matilde. Aquela não era eu. Não era aquela linda cadelinha que as visitas gostavam de por no colo pra tirar fotos. Eu estava reduzida a um trapo. De tão magra, dava pra contar os toquinhos de osso nas minhas costas.
      Meus novos pais compraram muito remédio pra mim. Desverminante, fortificante, desintoxicante e muitos outros mais. Hoje estou curada, saudável, linda e maravilhosa. Outro dia o Jurandir, meu veterinário disse que eu era “uma gata”. Só não dei-lhe umas mordidas porque sei que isso é um elogio dos humanos. Estou linda!
        Faço o que posso pra mostrar o quanto sou grata a eles. Outra coisa que eu preciso contar. Meus novos pais me adestraram. Apesar de eu ter chegado aqui naquelas condições que vocês já sabem e já com um pouquinho de idade, eles resolveram me adestrar para me manterem ocupada e me ajudar a esquecer tudo.
        Hoje sou uma cadela adestrada. Não espanto mais o carteiro, parei de comer as correspondências e agora só faço xixi lá fora, no pé do abacateiro e cocô na terra lá no cantinho do quintal e faço questão de enterrar tudo. Sou feliz nesta casa, rodeada do carinho da minha irmã humana Til e dos nossos pais. Não tenho mais medo de chuva nem de trovões, nem de fogos. Superei tudo isso com o adestramento. Mesmo assim, quando começa aquela barulheira minha mãe me põe no colo e eu fico encolhidinha, até tudo passar... Como passou aquele terrível dia, que me abandonaram na beira daquela rua. Aquilo pra mim agora é coisa do passado.



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