AMOR DE NAMORADOS
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Junho 2017

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AMOR DE NAMORADOS



Amor de namorados romanticos e apaixonados.

É Dia dos Namorados e você é obrigada a amar e ser amada neste dia, não importa se você não escolhe bem os seus parceiros; se você ainda não está pronta para uma relação estável; ou se você é feliz sozinha; a manicure quer porque quer que você pinte as unhas de vermelho, o primeiro email que você recebe toda manhã é propaganda da TAM dizendo que: “A gente se sente nas nuvens quando esta apaixonada”, o segundo é da GOL dizendo que “A Cia Aérea que Oferece as Melhores Opções de Voo tem ofertas especiais para casais apaixonados”. Na rua os casais se proliferam, nas lojas as vitrines estão cheias de vermelho e corações, não se fala em outra coisa e a sua amiga lhe conta que vai passar a noite em um hotel com o namorado. Então bem-vindo ao Dia dos Namorados quando não se tem um.
        Ainda assim, nem tudo esta perdido, seu telefone está tocando e pode ser aquele carinha que você estremece quando vê e ele idem, mas vocês acham impossível ficarem juntos. Não se suportariam são egocêntricos demais. Já deram um ao outro provas disso inúmeras vezes.
        Dizem que os elos amorosos duradouros se beneficiam muito da presença de grandes afinidades: de caráter, de gostos, de interesses e de projetos de vida em comum, e num mundo em rápidas transformações, não é fácil manter essa sintonia. Vocês ainda não atingiram a maturidade emocional indispensável para uma relação amorosa estável e são vividos e inteligentes o suficiente para não se jogarem numa relação precipitada, mesmo porque, já aprenderam a ficar bem sozinhos.
        Não era ele no telefone. Era uma chata perguntando se dava uma prancha de surf ou uma camisa pro namoradão. A prancha de surf ela até já descartou por ser praticamente, segundo ela um símbolo fálico e a camisa, o problema da camisa é o contrário. Falta simbolismo. O que é que faz uma mulher dar uma camisa pro namorado?...
        Você já estava preparadíssima pra dizer a chata o que, na sua opinião ela devia dar pro namorado o quanto antes. Isso se houvesse uma brecha, mas o monólogo da sua amiga não tinha fim e a brecha não aconteceu: "se eu dou uma camisa é capaz dele achar que eu estou mandado ele passear. Tu conhece homem. Não perde gancho"...
        A cada raciocínio da amiga, você olha para os céus em quase desespero e diz "ã-ramm"... Ainda bem que o tal dia dos namorados é só amanhã e se a sua amiga der uma tregua, seu telefone pode tocar novamente e dessa vez vai ser o carinha que tem muito potencial. Você acha ele um fofo, ele vai contar alguma piada e você vai rir. Ele entende as loucuras que você faz e sua inconstância porque é maduro e sabe que depois do caos vem a luz e que você vai encontrar a sua. E você acha bacana ele pensar assim de você.
        - A prova está aqui- disse ele um dia, brandindo um livro seu que tinha na mão -"Você lê Paulo Vieira, e não é a única. Se fosse a única, os livros dele não seriam bestsellers. Tem Gikovate também aqui e muita gente de peso, dizia vistoriando os títulos na sua estante.Você tem no sangue alguma coisa que vai fazer você um dia chegar onde quer. Realmente era gostoso ouvir o que ele dizia. Nessa hora, nessa altura, você já está convencida que se ele por acaso aparecesse, o dia dos namorados não ia estar sendo tão irritante, mas o dia ainda não acabou e você continua atenta, construiu seu equilíbrio emocional a custa de muito esforço, muito foco e não é uma data comercial que vai derrubá-lo.
        É verdade que você não pode passar a vida inteira balançada, na corda bamba, em cima do muro, na indecisão, em busca de grandes conquistas, criando expectativas demasiadas nos outros e sofrendo decepções. É claro também que príncipe encantado não existe e pra ser muito franca, nem faz seu gênero, mas você também não pode se esquecer de si mesma, de viver sua vida, de se amar e de preservar com carinho o seu amor próprio.
        Ja é noite e você está em casa pensando nos acontecimentos ou na falta de acontecimentos do dia. O cara fofo ligou, mas nem por isso você, subitamente, percebeu que está bem, e é feliz. Bem você sempre está. Feliz você é namorando ou não. Sabe que deseja muito este amor alardeado em todos os comercias, filmes, novelas e boca a boca das piriguetes da faculdade, mas não precisa dele para viver.
        Sua vida corre, outras coisas acontecem. Existe uma paz muito grande em fazer da melhor forma possível aquilo que você gosta e esta paz você tem.
        Lembra-se de um texto do Gikovate dizendo que “uma pessoa é feliz quando é capaz de viver sem grande culpa os momentos de prazer e de aceitar com serenidade as inevitáveis fases de sofrimento”. Você sempre sorri quando lembra como são raros seus momentos de prazer e como são frequentes e longas suas inevitáveis fases de sofrimento.
        De um jeito ou de outro o Dia dos Namorados chegou, está transcorrendo e vai terminar e no final você vai estar melhor do que está agora. Aquela camisa polo unisex que você comprou, quando perguntaram na loja se era pra presente você disse NÃO!... mas embrulhou com celofane e escondeu no guarda roupa. Se o fofinho aparecer, acho que você vai acabar dando pra ele.

Adaptado da Cronica de Laura Tonhá.

O NAMORADO DA FILHA



Quem tem filha adolescente sabe, chega uma hora que você vai ter que conviver com o namorado dela dentro de casa. Lei da vida. Você gostou da filha dos outros, alguém vai gostar da sua.
        Em geral, no início o garoto é tímido. Chega devagar, meio sem graça, mas pouco a pouco vai se sentindo cada vez mais à vontade, até que um dia se dá conta que aquela é a casa da sogra e o teu calvário começa.
        Você quer assistir ao Jornal da Globo e ele está vendo a novela da Record. Procura leite na geladeira e não tem mais. Vai fazer um sanduíche e o pão acabou junto com o presunto e o queijo.
        Um belo dia “o genro” faz 18 anos, tira carteira de motorista e começa a pegar teu carro emprestado. Aí tua filha te liga às 3 da madrugada:
        - Pai, o carro parou e não quer funcionar.
        - Bateu? Alguém se machucou?
        - Não, pai. Só parou e não anda.
        - Por favor, dá uma olhada no ponteiro da gasolina.
        Aí você tem que levantar, pegar o carro da tua mulher, um galão de plástico, passar no posto de gasolina e fazer seu papel de pai. Ninguém vai deixar uma filha parada no meio da rua, no meio da noite. Pelo menos nas duas primeiras vezes.
        Na terceira vez que isso acontece, você já perdeu a paciência:
        - Diz pra essa anta do teu namorado que carro se bota gasolina!!! Liga pro padre e pede ajuda. Eu tô dormindo.
        No domingo, por volta de meio dia, você está na sala lendo o jornal e entra “o genro”. Cheio de tatuagens, duas argolas nas orelhas e a cara toda amassada:
        - Ê Iaêe?!
        Você, imaginando que aquele grunhido deve ser algum tipo de cumprimento, uma maneira nova de se dizer bom dia. Grune algo semelhante e continua lendo.
        Pra não parecer antipático, resolve puxar conversa e comenta sobre a roupa que ele está usando:
        - Olha só. Acabo de descobrir um ponto em comum entre nós dois: eu tenho uma camisa igual a sua.
        - Minha, não. Peguei no teu armário ontem pra dormir. Só pra dormir! Já imaginou eu andando com essa coisa na rua?
        Passou a vontade de ler.

OS NAMORADOS DA FILHA



A vontade de ler passou, mas tudo bem. Pior aconteceu com o amigo dele, o Sinésio da repartição.
        Quando a filha adolescente anunciou que ia dormir com o namorado, Sinésio não disse nada. Não a recriminou, não lembrou os rígidos padrões morais da sua juventude. Homem avançado esperava que aquilo acontecesse um dia. Só não esperava que fosse naquele dia.
        Mas tinha uma exigência, além das clássicas recomendações. A moça podia dormir com o namorado:
        - Mas aqui em casa.
        Ela, por sua vez, não protestou. Até ficou contente. Era uma inesperada comodidade. Vida amorosa em domicílio, o que mais podia desejar? Perfeito.
        O namorado então ficou quase eufórico. Entre outras razões, porque passaria a partilhar o abundante café da manhã da família. Aliás, seu apetite era espantoso: diante do olhar assombrado e melancólico do dono da casa, devorava toneladas do melhor requeijão, do mais fino presunto, tudo regado a litros de suco de laranja.
        Um dia, o namorado sumiu. Brigamos, disse a filha. Meu namorado agora é outro bem mais interessante do que aquele porcaria.
        Veio o outro, e era muito parecido com o anterior: magro, cabeludo, e um apetite descomunal.
        Sinésio logo descobriu que constância não era uma característica de sua filha. Os namorados começaram a se suceder em ritmo acelerado. Cada manhã de domingo, era uma nova surpresa: este é o Rodrigo, este é o James, este é o Tato, este é o Cabeça. Lá pelas tantas, ele desistiu de memorizar nomes ou mesmo fisionomias. Se estava na mesa do café, era namorado. Às vezes, também acontecia que ele levantava à noite para ir ao banheiro e cruzava com um dos galãs no corredor. Encontro insólito, mas os cumprimentos eram sempre gentis.
        Uma noite, acordou, como de costume, e no corredor, deu de cara com um rapaz que o olhou apavorado. Sinésio o tranquilizou:
        - Eu sou o pai da Melissa. Não se preocupe, fique à vontade. Faça de conta que a casa é sua.
        E foi deitar.
        Na manhã seguinte, a filha desceu para tomar café sozinha.
        - O namorado? - perguntou o pai.
        - Vou saber? Faz dias que eu não vejo aquele traste.
        Algo lhe ocorreu, e ele, nervoso, começou de imediato a checar a casa. Faltava o CD player, uma máquina fotográfica profissional, o rolex, a impressora e dois celulares. O namorado não era namorado ou se era, nutria mais paixão pela propriedade alheia do que pela Melissa.
        Um único consolo restou ao perplexo pai: aquele, pelo menos, não ficou pra fazer estrago no café da manhã.

      Da crônica de Moacyr Scliar




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